quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SEXTAS PALAVRAS




Muito do que penso é reflexo de meus estudos na doutrina espírita, que norteia meus raciocínios. Mas nem sempre ajo como penso, já que a distância entre um e outro é determinada pelas minhas limitações enquanto ser humano fálico, principalmente no campo dos sentimentos. No entanto, embora eu tenha já me equivocado muito nestes meus 30 anos de vida, é na paternidade, um dos campos de minha vida, em que procuro o esforço por me equivocar menos! Eu não queria ser pai. E, às vezes ainda penso que seria melhor se não o fosse. Mas tenho aprendido muito com a experiência.

Assumir compromissos paternos é o mesmo que assumir o esforço pelo aperfeiçoamento pessoal, no tocante ao desenvolvimento de nossos mais nobres sentimentos. Paternidade tem mesmo um caráter divino, pouco assumido por muitos. Eu mesmo ainda sou invigilante, embora tenha melhorado se levarmos em conta minha indiferença ao primeiro filho- ele me ensinou tantas coisas que ainda eu poderia até escrever a respeito por aqui. Infelizemente, nossa sociedade parece desavisada sobre a nobreza conceitual e contextual dos valorosos atributos adquiridos quando se esforçam por ser um pai com tal compromentimento. Independe de religião. Independe de classe social. Independe de formação acadêmica. Depende de sentimentos, estes que nos movem sempre, sejam positivos ou não.

Aqueles que se tornam pais, mas não se comprometem com esse caráter divino mantém-se longe das verdadeiras noções de humanidade. Ser pai é também buscar humanidade. Muitos de nós, pais no mundo, precisamos nos esforçar cada vez mais à compreensão da complexidade e grandeza bendita que é a paternidade. É até mesmo natural que nos interessemos pelo mundo, até mesmo por alguns acontecimentos vulgares, mas a paternidade se configura essencial, onde se deve atender aos desígnios desse caráter divino, quando consideradas as responsabilidades mais importantes que nos são conferidas em relação à essa condição.

Filhos são como preciosidades que Deus confia às mãos desses humanos, onde solicita cooperação e afetividade eficiente. Cada dia que passa tento absorver esses conceitos, me percebendo o quanto sou abençoado por ter tal confiança e o quanto é precisos cuidar das primeiras orientações de vida do Pedro Henrique e do Mateus, as criaturinhas que Ele me confiou. Emmanuel escreveu certa vez que receber encargos desse teor é alcançar nobres títulos de confiança. Por isso, criar filhos e aperfeiçõá-los não é tão fácil.

A grande maioria dos pais parecem desavisados quanto a esta contextualização, a meu ver. Seja nos chamados excesso de ternura, ou nos exageros das exigências. Que eu possa, com minha busca, compreender cada vez mais que, para ser pai, são necessários profundos dotes de carinho e afeto, à frente desse compromisso onde deve brilhar o dom do equilíbrio emocional.

Quantas sementes vocês acham que o homem tem o direito de possuir, para desperdiçá-las plantando a esmo? Suponha que seu pai fosse obcecado por ter filhos, não importasse de qual mulher, nem o amor que sentisse por ela. A única coisa que lhe importava era o seu objetivo: ter um filho homem, a quem daria o seu nome. Suponha ainda que seu pai estivesse tão cego para os seus objetivos que nunca traçou um plano ou escolheu onde iria colocar sua semente. Jogava-a na primeira mulher que ele julgava amar. Suponha que todas essas mulhers fossem estéreis. Depois de tantas tentativas frustradas, ele abandonaria todas e perderia o sonho de ter um filho.

Vocês conseguem perceber- se é que minha percepção está certa- a importância da terra? Que Deus me ajude a ganhar cada vez mais serenidade para que eu não desperdice as sementes que me chegam para o plantio no coração de meus filhos e que eu possa me abrir às sementes que, porventura meus filhos carregam para plantar em meu coração!

10 comentários:

PríncipeTito Blog disse...

Parabéns Ivan...Gostei do Algumas Palavras!!! Abraços.

Beatriz disse...

Meu querido, estou vindo do teu outro espaço onde registrei minha preocupação com a tua demora em postar (rs). Vejo que estás bem!

Soubeste bem delinear nesta postagens a responsabilidade atribuída aos pais que pretendem colocar filhos no mundo. Sei que o Pedro Henrique e o Mateus possuem a ventura de te ter como pai, meu querido! Sei que os pais não são infalíveis e muitas vezes cometem erros buscando acertar na educação, no preparo dos filhos para o mundo, mas quando existe discernimento, quando as atitudes são pautadas no amor, na responsabilidade, no carinho, as possibilidades de acerto são imensas. Detectar os erros, aprender com a própria experiência, são caminhos que suavizam o processo de aprendizado e tornam a tarefa da criação um pouco mais fácil de ser feita.

Tanto lá quanto aqui, meu anjo, fica meu carinho embrulhadinho em flores, estrelas e sorrisos.

Laranjinha . disse...

Ivan, concordo com a Beatriz.
Sempre achei que a "profissão" mais difícil é ser pai. Onde um erro pode ser passado e corrigido adianta, ou, onde um erro poderá repercurtir por toda a vida.
Desejo a ti, uma boa sorte.
Beijo.

Å®t Øf £övë disse...

Ivan,
Gostei de ler esta tua reflexão sobre o que é ser Pai. Para mim ser Pai é o mais importante da minha vida, e o seu foco principal, porque nós podemos alterar tudo na vida, menos o facto de sermos Pais. Isso seremos até ao fim dos nossos dias, se as coisas correrem dentro da naturalidade, e normalidade. Por isso ser Pai é uma responsabilidade sem limites, e para toda uma vida.
Abraço.

Beatriz disse...

Passando, relendo, sorrindo, partindo... mas deixando um beijo no teu coração!

Suave-Toque disse...

Por vezes acontecem imprevistos alheios a nossa vontade, foi o que houve. Precisei me afastar, e deixar de fazer o que mais gosto, escrever.
Estou de volta e completando um ano de palavras. Tenho lá, no meu cantinho um presente para você, o meu selo. Busque-o para guardar contigo em sinal do meu carinho e distribua-o aos seus mais queridos amigos. Meu link mudou. Venha me visitar.

www.suave-toque.blogspot.com

Um grande beijo de:

Suave Toque

Andréa Motta disse...

Oi, Ivan! Acabei de ler os seus comentários no meu blog e no blog do Vlad. Ele é bom, sim; fico orgulhosa dele! Um abraço pra você e pra Kolly.

Beatriz disse...

relendo... deixando um beijo no teu coração!

Dd ^^ disse...

Adorei por aqui também querido... lindo mesmo... parabéns pelas palavras... linkei seus dois blogs... bom fds... ^^

Kall disse...

Concordo com vc essa missão é dificilima por isso nem todos são abençoados com ela.
Se vc foi é por um motivo divino ecom ctz p seu crescimento pessoal.
Tenha ctz de que Deus te ajudara sempre a ser O PAI.
Bjos tenha uma otima semana.