quarta-feira, 18 de junho de 2008

QUINTAS PALAVRAS



Certas lembranças apertam o coração. Magoam, como se nunca houvessem magoado, ou eu não tivesse percebido a mágoa que causam. Magoam de novo, as com que eu já tinha sofrido. Onde o rumo? Onde a direção? Onde o afago que preciso por estes dias turbulentos que estagnam o que está no coração, interferindo no que penso?

Não há choro, ainda. Mas saudades das oportunidades que deixei passar. Talvez eu pudesse, hoje, caso viessem lá de trás, mudar tanta coisa... E hoje, busco perdão, mas não encontro a força necessária para tanto, ainda! Não é que esteja perdido, sei que está aqui, sei que vou encontrar. E o perdão,~não busco de alguém, busco de mim, busco em mim.

No fundo quero fugir, esconder, me libertar assim, de maneira mesquinha e covarde. Pura ilusão. Por disso saber, é que sei, não posso fugir, não posso esconder. Nem me esconder! Embora desconfie que, cedo ou tarde o choro virá. E se vir, que venha como purgar essas inquietações. Ou ao menos trazer melhores disposições na mente.

As vezes sinto que as lágrimas serão inevitáveis. Inconsoladas, incontroláveis, com raiva e aflitas. E me digo sempre que não posso ter medo de me encontrar numa esquina qualquer. Sem arrepios, sem pavor, sempre que eu me ver olho no olho.

Sei que preciso querer que as conversas comigo mesmo sejam inadiáveis. Que elas existam nos tempos oportunos. Que elas sirva para resolver essas pendências emocionais de desamor comigo mesmo.

Sei que não me faltará amparo. E que dele, eu possa ser cada vez mais digno, porque precisarei.

Que eu seja digno do amaparo para carregar essas lágrimas aflitivas para longe, tirando de mim o peso da dor.

Que eu seja digno de um melhor jardim, na medida em que eu me resignar no campo de batalha pessoal onde estou sempre a lutar.

Que, seja lá qual for o tamnho da dor, eu seja digno de atravessar meus caminhos, à medida que eu administre meus temores.

Que eu também seja digno de encontrar amigos, pessoas, para me aconchegar e dizer palavras que auxiliem meu equilíbrio- será pedir muito?

Que minha razão ceda um pouco de seu lugar à emoção, e eu seja digno de sentir mais o que sempre senti de menos, ou me impedi de sentir- o que eu não havia percebido, auxiliou na chegada desses tormentos.

Que eu seja digno de seguir em frente, esquecendo o que passou e não serve mais, pisando em terra firme, vivendo melhor o presente, lançando mais meus olhos para o futuro.

Que eu seja digno de fazer brilhar a luz divina que carrego, para irradiá-las cada vez mais, sobretudo àquelas pessoas a quem colaborei para estarem na sombra. Sim, ainda a razão me leva a crer nessa luz. preciso encontrá-la no coração agora!

Enfim, sei que foram muitos os pedidos. Mas, à medida que eu faça minha parte no esforço, eu possa ser digno de ser atendido.

Que assim seja!