segunda-feira, 28 de abril de 2008

QUARTAS PALAVRAS




Outro dia, eu voltava para casa depois de me despedir da Koly (http://momentosnossos.zip.net) e, ao invés de ler o jornal do dia como sempre faço, refletia sobre minha tão tempestuosa vida. Contudo, em face de alguns acontecimentos ocorridos em minha vida ultimamente, passei a refletir sobre eles. Não é uma forma de me martirizar, como muitos já me disseram após saberem que, a meu ver, tal natureza de análise é importante para o autoconhecimento. Apenas a racionalização que procuro ter para nortear minhas decisões. Registrar o que se pensa de si também é outro passo importante, para a autocobrança e o não esquecimento do que me comprometi comigo mesmo; por isso, escrevo uma síntese do que consegui formular, sem precisar contar detalhes do que estou passando, de modo a deixar, sem pretensão, o texto de utilidade geral- espero!

Na medida em que não estamos satisfeitos conosco, com nosso trabalho, nosssas relações de amor ou de amizade, parece-me que sempre nos apresentamos emocionalmente desajustados, em tensão. Estar ajustado, creio, é como estar adequado a certos padrões de comportamento que nos permitem satisfazer nossas necessidades reais- e nãos as necessidades dos outros ou criadas por nós para satisfazer uma ilusão. Como a todo momento temos múltiplas necessidades (por que se criam, ou porque criamos), continuamente enfrentamos problemas de ajustamento. Portanto, para que um comportamento seja adequado- ou seja, ajustado- é necessário em primeiro lugar, descobrir os meios de satisfazer as próprias necessidades. Mas não é só: esses meios deverão estar de acordo com as regras e necessidades do grupo social em que vivemos também, pois há o espaço e a individualidade do outro a ser respeitada. E daí surgem novos problemas.

Uma frustração contínua, ou situações em que coloquem exigências superiores ao que o somos capazes de dar ou fazer, tendem a nos provocar ansiedades ou tensões- ou, em outra palavra, desajustamentos. Daí, a tendência é apelar para qualquer coisa que reduza essa tensão, mesmo que por pouco tempo- é o caso das drogas, do álcool, das manifestações de agressividade, das obssessões por algo como a procura do corpo perfeito segundo um critério exageradamente falso, etc. É difícil acreditar e/ou compreender, mas esses comportamentos, embora não sejam adequados, podem ser as formas encontradas para a eliminação das tensões e enfrentar determinada situação. A forma como cada um reage está sempre de conformidade com o entendimento que faz da vida. Os motivos desses comportamentos devem ser procurados na interpretação que cada um de nós fazem os da situação- assim abrimos caminho para a (auto)indulgência.

Muitas vezes, a excessiva preocupação com a situação leva a optar por objetivos imediatos que irão contrariar um bem-estar mais duradouro. A criança que, por medo, se recusa a tomar uma vacina, não compreende que essa forma de ajustamento trará um sofrimento ainda maior se ela contrair a doença (meu filho mais novo passou por isso semana passada). Outas vezes, procuramos compensar um fracasso com um objetivo que funciona como substituto. É o caso de alguém que se dedica, por exemplo, ao esporte, não por escolha verdadeira, mas porque sua atuação em outras áreas está longe de ser brilhante. Ou da criança, que se apega a um animal de estimação por falta de contato com companheiros adultos- tenho dois filhos, e preciso pensar muito nisso.

Ainda há o comportamento que permite apenas um pequeno grau de satisfação das necessidades e que, na medida em que traz esse pouco de satisfação, tende a ser mantido. Esse tipo de ajustamento é a repetição, na tentativa desesperada de chamar a atenção. Isso é evidente nas pessoas que se vangloriam ou se exibem porque não se sentem aceitas, nas reclamantes que falam o tempo todo de desgraças e doenças porque não recebem atenção e afeto, nas que agridem ou impedem uma aproximação maior por saber de sua prórpia fragilidade afetiva.

É ainda existem aqueles que atingem os seus objetivos, mas de uma forma que entra em conflito com os valores do grupo social. É o vigarista que não se acha errado porque não acredita nos valores sociais vigentes e até se orgulha de enganar os outros, agindo de acordo com suas prórpias crenças, sem se importar com as dos outros.

É preciso que estejamos atentos às lições que se nos apresentam a vida, esforçanado-nos a tomar consciência do choque entre os nossos valores e os valores do meio; das responsabilidades que nos cabem pelas consequências de nossas ações. Caso contrário, nos sentiremos sempre perseguidos e injustiçados em relação aos outros quando a vida nos "castigar"; quando só servirá para nos levar à revolta e à repetição de nossos atos com intensidade ainda maior.

12 comentários:

Maryam disse...

Olá,Ivan!
Acabo de vir de seu outro blog!
Vejo que vc tem muita facilidade em se expressar através das palavras,
coisa que não sou tão boa assim! Mas,estou tentando...rss...
Sou uma pessoa "frágil",tenho meus medos e espero através da
imaginação diminuí-los!
Tenho outros blogs,mas são blogs focados em assuntos determinados,
como "Jardinagem",por ex. Nestes blogs,tenho que pesquizar
para depois então fazer minha postagem e não uso a imaginação!
Minha criatividade é apenas usada para a escoha de belas imagens,
que atraiam o leitor.
Mas,com Vc, noto que as palavras fluem com muita facilidade!
Parabéns!
Beijos em seu coração,
Maryam.

Mila disse...

Ivan...
Nada facil estas tuas reflexões... muito mais as conclusões que advem destas....
as vezes fujo delas... não por medo ou covardia... mas por auto-proteção... As vezes me jgo de cara... pra enfrentar os meus monstros... e dar culpa aos que tem culpa...
A verdade é que nunca existe uma total felicidade... ou um total contentamento com tudo... sempre existe alguma coisa que a gente gostaria de melhorar... e no fundo isso é bom....
Espero que esteja bem e que tudo fique bem!!!!
Beijos Mila

Carmim disse...

Muitas vezes não conseguimos entender os benefícios de algum acontecimento, porque pensar a longo prazo é muito complicado.
Mas todas as tuas reflexões são certeiras.

Um beijo.

Suave Toque disse...

A vida e as pessoas são cheias de surpresas, infelizmente não recebemos um manual de instruções ao nascer, e nem as pessoas que conhecemos trazem um, portanto é aprender, aprender e aprender sempre. Temuma facilidade incrivel para desenvolver um texto. Quero dizer que nãoconsegui acessar osite que deixaste no suave toque.
Um bom final de semana.

Beijos

♥M@cellY♥ disse...

Olha... que post filosófico... rs
Bem, entender a linguagem da vida não é nada fácil né...eu ainda me perco e fico dando cbeçada por aí...
Quem sabe um dia eu não paro pra analisa-la.. pode melhorar... rs

Vc tem filhos? que legal.... nem sabia...

Bjinhuus

Bia disse...

Um relato que nos traz preciosas lições, mesmo que não tenha sido essa a intenção. Uma vivência rica como a tua sempre, de onde consegues extrair preciosas lições, sempre nos apontam caminhos quando nos presenteias com tuas experiências ou com as reflexões que fazes sobre o comportamento humano frente aos relacionamentos e à própria vida. Muito bom ler-te, amigo, tanto lá, quando aqui. Uma noite de lindos sonhos é o que te desejo, de coração!

Claudinha disse...

Olá Ivan. Seu texto mostra clareza de pensamento e maturidade. Parabéns!
Beijo.

FINA FLOR disse...

quando não estamos bem com a gente naaada funciona =/

beijos, dear e obrigada pela visita,

MM.

Å®t Øf £övë disse...

Ivan,
Para cada um de nós manter o equilibrio emocional, é fundamental a auto-análise, que leve ao nosso auto-conhecimento. Se não estivermos bem connosco mesmo, nunca poderemos estar de bem com nada, nem com ninguém que nos rodeia.
Abraço.

Lu disse...

A melhor terapia que qualquer pessoa pode ter é conversar com ela mesmo,..
bjos

Maria Clarinda disse...

Ivan, hoje tirei um tempo para passar no teu blog com calma, ler-te e meditar no que escreveste. Foram momentos optimos!
Obrigada por eles.
Jinhos mil

Thiago disse...

Convido-te a conhecer o desenlace da história de A.!!