segunda-feira, 7 de abril de 2008

PRIMEIRAS PALAVRAS

A AFEIÇÃO POR MIM MESMO




Parece que o exercício de amar a si, para depois amar ao próximo é uma tarefa que exige- para aqueles que se interessam na disposição de amar-, dedicação quase que sobre humana. É que aqui, estamos penetrando no terreno das emoções, terreno impenetrável quando o outro não se abre uma brecha sequer de seu coração.

Desde pequenos somos desvalorizados em nossas emoções, de forma até mesmo inconsciente por aqueles que deveríamos esperar posturas diferentes. Nas famílias, enquanto crianças, ouvíamos muitas coisas que nos desabonavam. "Não faça bagunça, porque você nunca guarda", ou "você só sabe quebrar as coisas, é mesmo um desastrado", ou "você está me deixando maluca, qualquer dia desses ainda quebro seus dentes", "não tirou nota boa? é mesmo um burro..."

Um grande desafio para o mundo atual, percebo, é o de os pais precisarem se munir de recursos afetivos-pedagógicos no intuito de dar melhores direcionamentos emocionais aos seu filhos. Fazer uma pequena criança (de 3 anos por exemplo) se sentir amada depois de ela ter riscado toda a parede de seu quarto é exercitar o exemplo de dignidade pela qual somos todos merecedores, se for nosso real desejo.

A criança tem sempre a sensação de que todos sabem o que ela não sabe. Amarrar o cadarço, por exemplo. Todos tem que lhe explicar tudo. Na escola, os professores chegam a se irritar com a nota baixa de um aluno. Quando a nota é boa, ouve-se, no máximo um "não fez mais que sua obrigação". Na puberdade, nós assistimos a telçevisão e vemos pessoas fazendo coisas heróicas(claro que falo de nós, pois já fomos crianças desvalorizadas, não fomos?), onde as mulheres têm a pele maravilhosa, olhos brilhantes e expressivos, os dentes lidérrimos. Os homens têm 1,80m de altura (ainda bem que tenho 1,82, he he), rostos másculos (eu, eu, eu), etc. A auto estima do jovem sofre abalos com as comparações.

As propagandas dizem para termos o que não podemos pagar. A todo momento a mídia comercial nos diz: "se você não tem isso, então é um fracassado". Você consegue ser inteiro, autêntico? Já pensou que as outras pessoas querem ter a falsa sensação de que são melhores que você? Aliás, é tão fácil apontar no outro os defeitos, porque isso nos dá essa sensação falsa também. Cobramos pouco de nós mesmos, mas dos outros... esperamos que alguém nos ligue, que alguém nos convide a sair para um lugar bacana, e esquecemos de participar da vida. Desde que nascemos, parece que somos estimulados a isso.

Mas essa situação nos dispõem menos à aquisição de novos relacionamentos. Ou, se os adquirimos, tendem a ser efêmeros, superficiais, pouco contribuem para nosso crescimento. Daí, para sentir solitário (mesmo no meio da multidão), é um passo, depois que cai a ficha. Se chegamos ao estado crônico da solidão, colocamos a culpa nos outros. Seria possível alguém não se interessar pelo que sou, pelo que tenho enquanto pessoa? Se a resposta for positiva, então, sabemos de novo com quem está o problema e quem deve mudar as ações... Muitas vezes, esse processo se sucede de forma insconsciente. Sentimos a ngústia e nem sabemos como nomeá-la.

Creio que amar a si é reconhecer que tem conflitos que diminuem as alternativas de felicidade pessoal. Gostar de si com os defeitos, as indisposições, as paixões, etc., mas também com as conquistas, com os sonhos, porque cada um de nós é único. Aliás, os sonhos não concretizados são mesmo um convite para a renovação, independente dos outros. Por isso, aqui não cabe queixa ou revolta, a não ser consigo mesmo.

Se feri alguém, o que faço? Pedir o perdão e assumir o compromisso de melhor comportamento já é grande passo. Se não puder pedir perdão, sigo com o compromisso do recomeço feliz. Se eu fui ferido, devo prosseguir sem cobranças, já que estou livre agora. Pois esperar que o outro nos ame, embora seja justo, quase sempre termina em desajustes, tédio, decepção ou cobrança. Se só tenho o afeto que dou, então, eu estou em minhas mãos.



NO PRÓXIMO POST, ALGUMAS DISSERTAÇÕES SOBRE O AFETO!

16 comentários:

Carmim disse...

Regressou em força, não?
Falar de emoções e sentimentos nunca é fácil... amar os outros, mas especialmente amarmo-nos a nós mesmos é um exercício que requer muita sabedoria!

Bom regresso! =)
Um beijo.

♥M@cellY♥ disse...

Nossa!!! Muito bom ler seu blog.
Está em regrsso né? Pois então, não suma mais!!! rss

""os sonhos não concretizados são mesmo um convite para a renovação, independente dos outros.""

Nunca parei pra pensar mas... sabe que vc tem razão...rs

Bjinhus moço, obrigada pela visita... e eu, volto!
;)

DO disse...

Complicadissimo este tema,IVAN. E muito polemico. Mas gostei da sua abordagem,sim

abracao!!

Nanda disse...

Parabéns pelo espaço novo; com relação a auto-estima; acho que cada vez mais se valoriza apenas o exterior. E quando isso acontece, se perde tanto. Um abraço.

Daniel Winter disse...

Olá Ivan...
Em primeiro lugar obrigado pela visita em meu blog. Já descobri que temos algo em comum. A Bia e suas pétalas de rosas perfumadas...
Quando menos esperamos, um novo comentário dela e um novo alento.
Li teu texto. Essa questão de amar a si mesmo; o amor-próprio; estar dentro de si e ao mesmo tempo feliz com o que passa na mente; as reações; a sensibilidade. Tudo isso é algo tão pessoal e tão complexo que muitas vezes não paramos muito para pensar. Mas textos como os teus nos fazem parar um pouco o ritmo frenético. Pensamos em nossa visão e no modo como reagimos diante de pessoas e fatos.
Gostei do que você escreveu.
Quanto ao meu blog ele está de portas abertas para você. Volte quando tiver vontade.
Abraço
Daniel Winter
http://winterdaniel.blogspot.com

Claudia Perotti disse...

Excelente post, Ivan!
Beijinhossssssss

drika4ever.blogspot.com disse...

ótimas reflexões, tema perfeito!

aguardando o próximo post :-)

bjos

Claudia Pit disse...

Oi Ivan, retornou em grande estilo.. parabens pelo texto!

abç

Nanda disse...

"Cobramos pouco de nós mesmos, mas dos outros... esperamos que alguém nos ligue, que alguém nos convide a sair para um lugar bacana, e esquecemos de participar da vida. Desde que nascemos, parece que somos estimulados a isso."

Perfeito!!

Voltou com tudo, hein Ivan?? ahahahah!! Que bom! Senti saudade!
Beijos!!

Jaque disse...

Depois de ler seus posts (esse, e os do outro blog), eu posso dizer que s� em vc supor que, o "algu�m" que te perguntaram, seja eu � uma honra... Mas, talvez, eu ainda tenha que comer muito feij�o com arroz...

Que sua "musa" te inspire sempre.

At�.

Rosi Gouvea disse...

Sentir é criar.
Sentir é pensar sem ideias,
e por isso sentir é compreender,
visto que o universo não tem ideias.

*Fernando Pessoa*

Estou sempre por aqui... Admirando, aprendendo e me surpreendendo!

Encantada...

Doces beijos!

Um Momento disse...

E aqui vim:)
Gostei de ler...
Sentires...emoções...
Sorrio.

Deixo um beijo e...até já

(*)

Anônimo disse...

Eu cheguei gostando desse blog...bem interessante mesmo....esse texo foi show.
bjos

Humana disse...

Olá Ivan,
Estou em fase de aprendizagem no que respeita a gostar de mim mesma, ou a gostar um pouco mais, a valorizar-me.Identiquei-me muito com as tuas palavras e levo até daqui alguns ensinamentos.Fizeste-me pensar!Obrigada!
Virei concerteza visitar-te mais vezes.Obrigada pelo teu comentário no meu blog.
um beijinho

Thiago disse...

Um abraço com muito carinho e afecto de todos os meus eus que esperam o teu regresso...

Å®t Øf £övë disse...

Ivan,
O mais importante para a nossa auto-afirmação, é sermos capazes de nos olharmos ao espelho, e gostarmos do que vemos refletido nele.
Abraço.