quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

DÉCIMAS PALAVRAS




Há poucos dias apenas e aquele renovado anseio de fim de ano por dias melhores parecia tão real desta vez! Parecia tão ao alcance das mãos. Como que anestesiados pelo contagiante clima de fim de ano, ajudamos a moldá-lo com nosso quinhão redundante de otimismo (forçado?), felizes pelos desejos de abraços e votos mútuos, fossem eles sinceros ou não. Mas... e agora?

E agora, quando temos os pés novamente firmes no chão, já limpo das rolhas de champanhe? E agora que, de novo, percebemos a realidade da face do mundo; e de nosso mundo? Despojados da hipnose dos shows pirotécnicos e ensurdecedores dos fogos de artifício, a pergunhta angustiante não cala: o quem nos trará o ano novo? Envolto por uma enorme quantidade de profecias místicas, econômicas, políticas, profissionais, etc., poderemos nos esforçar um pouco para, pelo menos prever, cada um o seu ano novo?: "O que nois reserva, pois, este ano novo?"

Não é difícil fazer previsões em relação à humanidade. Falo como espírita que sou, naturalmente. E digo que a humanidade continuará a colher os frutos amargos de sua prejudicial semeadura de séculos atrás- sempre com a oportunidade de se refazer, a cada momento. Crimes hediondos, doenças terríveis, desequilíbrios psíquicos e coletivos, crises políticas e sociais globais, descontrole econômico generalizado, múltiplas catástrofes da natureza (que, alertando, nos cobra), alterações climáticas incisivas, medo e insegurança disseminados por todos os quadrantes. Quem é criminoso, provavelmente continuará a sê-lo. E alguns se juntarão a estes. Os egoístas idem, os dissimulados idem, os inseguros idem, os infiéis idem, idem, idem. Tudo continuará, através da inacreditável, incompreenível desobediência coletiva às leis incontornáveis da natureza.

Quanto às previsões para cada indivíduo, para cada ser humano cujo espírito esteja consciente, o futuro só a ele pertence. Somente a ele e mais ninguém. Meu futuro me pertence! Cada um de nós moldamos parta si o próprio futuro, de acordo com a maneira que vivemos o presente. O ano poderá, portanto ser uma época repleto de luz- mesmo com algumas baixas luminosidades- ou de escuridão- com alguns relâmpagos a nos indicar que a luz sempre existirá para quem a procura. A responsabilidade da decisão é unicamente pessoal e intransferível.

Por isso, devemos nos cobrar ânimo e ação. Agir no agora, no presente! Se quero construir um belo ano (por que falar de um futuro distante?), é preciso reunir todos meus esforços para tal sentido. Talvez eu precise transformar ou intensificar algumas de minhas vontades e disposições interiores, o que deverá contagiar meus pensamentos, palavras e ações. O pensamento, mais purificado, a busca pelas palavras verdadeiras e o esforço pela ação correta, constituem o início da (re)construção que cada um de nós moldamos a nós mesmos! É preciso que descansemos das estafas intelectuais infrutíferas, nos libertemos das algemas dogmáticas e esqueçamos o misticismos ocultistas e pouco esclarecedores.

Não é fácil, e é desafiante, entretanto creio ser um caminho para formar um belo (futuro) ano novo. Boa vontade e perseverança. As pedras deverão ser encaradas como se tivessem sido lapidadas e colocadas por nós mesmos no tapete de nosso "destino", em decorrência do que outrora fizemos. Longe de nos incutir medo, tais pedras devem servir para que reconheçamos os erros que nos perseguem e refletir interiormente, prosseguindo sempre, para frente, colhendo novas aquisiçoes espirituais. Assim as pedras deverão, paulatinamente, diminuir de tamanho. Assim, mais forte ficamos a cada dia e a escalada se torna mais fácil, na medida direta de nossos esforços. A cada altura atingida, veremos melhor o que pode vir, aspirando maiores vôos; e o que já veio, formado por nossas próprias conquistas.

É que sem esforço próprio ninguém avança um milímetro sequer. Somente crer não basta para que alcancemos algo. É preciso compreender o que se crê. E depois, esforçar-se. Pelo esforço prórpio, temos condições de manter acesa a luz que trazemos dentro de nós e resistir aos vendavais purificadores. Aqueles que se dispuserem a apenas manterem seus espíritos mergulhados no sono da inanição, formarão para si um ano pavoroso, desenvolvendo cada vez mais uma incapacidade de se movimentar por si mesmos, e deixando mais difícil e longo a reversão do quadro quando caírem na real. Até lá, terão sua luz quase apagada já nas primeiras rajadas de vento...

O livre arbítrio, e seu desenvolvimento no uso contínuo e sincero, é a chave para nosso desenvolvimento. Por meio dessa dádiva, podemos escolher nosos próprios caminhos, colhendo aquilo que quisemos plantar. Formamos nosso próprio destino. Aí, não se trata de mais uma simples e somente resolução de ano novo, mas de uma decisão que abrange toda a nossa existência "inteira", pois o nosso futuro, noss destino, somente a cada um de nós pertence. Que esse novo ano seja então (talvez) o primeiro ano de uma vida completamente nova, integrada às leis da Providência. E será... se o quisermos!

sábado, 8 de novembro de 2008

NONAS PALAVRAS




Em todos os tempos da história verificamos no homem o desejo de estar bem, ser feliz. A procura pelo bem estar parece-nos inerente. A procura pelo "estar bem" com o outro idem. Entretanto, a felicidade parece algo tão distante, uma palavra chavão que ainda hoje carece de melhor sentido e reflexão. E cada um de nós sentimos muitas vezes um sentimento de impotência nos acomodando e nos aprisionando no lugar onde estamos, talvez por conta de nossos juízos de valores equivocados, já que a interpretação equivocada da vida nos conduz à buscas irreais. Então a pergunta que não cala: como vencer esse abismo que separa a necessidade de melhor paz interior e os grandes combates que se nos apresentam na vida a cada dia, levando em conta a questão das relalações?

Não é fácil mesmo encontrar respostas lúcidas. E quantas foram as vezes em que desistimos dessa buscas por conta do cansaço? Será que falo somente por mim afirmando que muitas vezes nos rendemos às propostas imediatistas dos prazeres superficiais, por serem a alternativa mais fácil, mesmo que sua gratificação seja passageira?

Sei que dói admitir, e dói lá no íntimo, num lugar ainda não bem determinado, mas é possível que tenham sido muitas as vezes em que houve a redenção à consumação de pensamentos sem a utilização da verdadeira consciência crítica, como se condicionados à um estímulo, sem a concorrência da inteligência e vontade- muitas vezes estabelecendo até mesmo uma rotina, um hábito. Há alguns assuntos que sempre volto a tratar aqui no blog. Não é que eu queira aconselhar àqueles que aqui chegam, mas compartilhar sentimentos, e algumas conclusões, muitas vezes bem pessoais.

E aqui, volto mais uma vez a um mesmo assunto, pois acredito que é sempre conveninete, em favor da (re)educação de nossos poteciais, refletir com serieade sobre nossa afetividade, mas hoje, com ela aliada à sexualidade. Afetividade e sexualidade andam juntas sim. A afetividade, quanto melhor conhecida e conduzida, tanto melhor será o gerencialmento de nossa sexualidade. Jamais devemos pecar no contrário. A maioria dos assuntos que trato aqui no blog estão ligados à afetividade, tema que tenho verdadeiro apreço.

Nesse campo, vemos a banalização do sexo, onde a mídia parece tê-lo reduzido com requintes de inferioidade e desvalo. A internet trouxe mais estímulos, preenchendo o vazio dos solitários de imagens degradantes- e estes jamais refletem sobre as causas de sua solidão insatisfações pessoais. Em muitos lares há a perda do limite; diante da beleza corporal, muitos pais quase sempre excitam a sensualidade precoce e a banalização. Como, nós, pais também fomos (somos) escravizados por estereótipos de conduta, não amargamos um pouco a soma de conflitos pessoais não solucionados que intereferem em nossa tarefa educacional junto aos filhos?

Num clima social assim, é razoa´vel entender porque os delitos do afeto e do sexo continuam fazendo vítimas e gerando dor. O desafio de usar com responsabilidade o sexo e a afetividade, continua superado por poucos que se dispõem ao sacrifício de vencer a si mesmo. Os estímulos exteriores sempre comprometerão os propósitos sinceros daeules que se empenham no embate, o que nos exigiria um bom esfoço para que não fossemos arrastados ao insucesso. Na doutrina espírita há um esforço para que aprendamos que a energia sexual seja disciplinada, pois assim, cada vez mais ela será diigida para fins de crescimento e libertação.

Nos dias em que vivemos, e como o sexo e a afetividade são tratados pela maioria dos veículos, é grande a influenciação à geração de um lamentável desvio, alimentando as miragens de posse nas relações, fazendo inclusive com que os relacionamentos, carentes de seguraça e de fonte viva de algria, se esqueirem nos campos do ciúme, da inveja, da dependência, do desrespeito, da infelidelidade- algumas das rotas de fugas pelas quais percorrem os encontros e desencontros entre casais e famílias.

Sim, a defesa de nossa intimidade, requer certa contenção de impulsos. Além, ainda, é preciso que tomemos a decisão de aprender a exercitar novas posturas que gerem novos reflexos através da consolidação de interesses mais elevados da alma. Disciplinar o instinto é fundamental, mas esse esforço deve vir aliado ao outro esforço que é o do comprometimento com nós mesmos em desenvolver melhor as questões de nossa afetividade.

Ante esse quadro, Ermance Dufaux nos propõe as seguintes reflexões: Que sentimentos e pensamentos devem nortear nossa mente em sua relação com o corpo? Como olhar para ele ou para o corpo alheio e experimentar emoções enriquecedoras? Como impedir a rotina dos pensamentos que nos inclinam à vaidade e à lascívia ante os estímulos da estética corporal?

Os meios sociais nos impelem à reflexão quanto ao cuidado do corpo, o que, de fato, é inegavelmente importante. No entanto, a gravidade dos problemas está nos sentimentos que nos permitimos perante as atrações físicas. Veremos o corpo conforme o que trazemos na intimidade. Por isso, acredito ser imprenscindível a busca por essa essencialidade de que todos nós somos dotados. A busc por nossa essencialidade nos conduzirá melhor à capatação da essencialidade do outro, percebendo que ele também tem seus medos, suas dores, suas neessidade. Essas buscas nos levarão a encontrar o nosso mundo subjetivo e o do próximo. O resultado será a sublimação de nossos sentimentos.

Uma vez estabelicido essa estado interior de dignificação, partiremos para o próximo passo e lançarremo-nos ao esforço (re)educativo na transformação dos hábitos. Assim, iluminaremos os nossos olhos para que tenhamos luz na visão do mundo que nos cerca, como encontramos Jesus recomendando em Mateus, cap. 6, vers. 22: "se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz".

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

OITAVAS PALAVRAS




QUE HORAS SÃO?

Paremos um minuto...! O quanto já nos situamos no tempo? Qual é nossa relação com ele? Precisamos de um ponto de referência para medí-lo? Como o definimos? Seria onde o ponteiro do relógio marca? Mas... e se o relógio estiver atrasado ou, de repente, parar? O tempo pára também? Ah, talvez vocês digam que, para definir o tempo, nos baseamos na divisão que se fez de horas, onde um dia tem 24 delas, que somam semanas, meses, um ano... No entanto, o tempo fora da Terra é outro! Por exemplo, em Júpiter, 10 horas de lá equivalem à 12 anos daqui. Eu que farei 30 anos em dois meses, lá eu ainda teria 2 aninhos apenas. O tempo é mesmo uma coisa maluca. Que horas são agora?

Mesmo se considerarmos nossa realidade, baseando-nos na divisão dia/noite, verificaremos que em alguns países ainda é claro às 22:00hs. Em outras regiões do globo, passam-se meses sem que recebam os raios de sol, e as noites são intermináveis nesses períodos. E nosso horário de verão? Será que podemos alterar o tempo? Enquanto estamos aqui, lendo, trabalhando, estudando, do outro lado do mundo, outras estão dormindo.

Como é nossa relação com tempo? Será que as 24 horas do dia são suficientes para que realizemos todas as tarefas que nos propomos a fazer? Muitos responderiam que não. Mas, sei que existem alguns insetos e fungos que nascem, crescem, se reproduzem e morrem em apenas um dia! Ou seja, vivem uma vida interia em 24 horas! Se estivéssemos no lugar deles, talvez achássemos que 24 horas é muito tempo, pois o tempo é relativo! As tartarugas, por exemplo, que podem viver quase dois séculos, devem achar de nosso tempo, o mesmo que achamos do tempo dos insetos e fungos.

Aliás, que horas são? Eu fiz essa pergunta lá no título do texto e tenho certeza que a resposta não será a mesma pois o tempo não pára! Daqui a alguns parágrafos, se eu perguntar de novo, a resposta será outra, diferentes das duas anteriores, e, aí, já será futuro, pois o futuro nunca é, mas sempre será! Futuro é o que ainda não ocorreu, ou seja, não existe ainda. O que já passsou é passado e não volta mais! Aquele telefonema que faríamos pela manhã, o café que não tomamos por causa da correria, a palvra lançada que trouxe arrependimento... tudo isso já era. Futuro e passado, objetivamente, não existem. Nada podemos fazer neles! Devemos estudar o passado para errar menos e sermos melhores no futuro!

Podemos optar pelo investimento de nós mesmos, nos descobrindo, nos autenticando, como muitas vezes já afirmei para mim mesmo, porque sou ainda um erante e compartilhei com vocês aqui neste blog em tantas oportunidades. Falei em optar, mas só o fazemos, através do uso de nosso livre arbítrio num único ponto possível no tempo: O PRESENTE! Nosso livre arbítrio só tem poder no AGORA, pois é no instante presente 9e não deve ser à toa que esse ponto no tempo se caham assim) onde a vida acontece. O presente traz no seu bojo o passado enquanto vida incorporada e o futuro enquanto perspectiva, numa série de probabilidades que podem ou não acontecerem.

Por isso, acredito que tantas mensagens- sobretudo as espíritas- nos dizem que o melhor momento é sempre o AGORA, não importa o que temos a fazer, não importa nossa idade! Aliás, nós sabemos quanto tempo nos resta ainda nesta vida? Afinal, a vida é dinâmica, o tempo é dinâmico, pois ele não pára nunca! Aproveitar o tempo que temos é um investimento inteligente. É aqui, é agora, que escolhemos sempre, mas a pior escolha, acredito, é optar para deixar tudo para o dia seguinte, ou prá semana que vem...

Aliás, que horas são agora?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

SÉTIMAS PALAVRAS




Ouvia ontem a música Quase Sem Querer do Legião Urbana. Fazia tanto tempo que não ouvia. Quando eu era adolescente, pnsava que não existia melhor grupo de música no mundo. Lembrei de algumas situções pessoais.

Um verso que gosto muito é o "mentir para si mesmo é sempre a pior mentira", porque sei que o preço que se paga para manter uma máscara é dolorosíssimo. Além disso, é preciso que nos esforcemos a reparar as atitudes desonestas que tivemos perante nós mesmos. Quantas vezes somos capazes de negar certas emoções em nós? Seria saudável nnos mignorássemos nestes momentos?

No dizer de Hammed¹, a r4eparação é o ato de compénsar ou ressarcir prejuízos que causamos, não apenas aos outros, mas também a nós mesmos, através de posturas inadeauadas. Ou seja, abrir mão de nossos sentimentos em favor de alguém somente para receber aprovação e consideração dos outros fará com que mantenhamos mais firme as máscaras que carregamos.

Viver o direito de sentirmos nossas emoções é como sermos honestos conosco mesmos. Isso ajuda no processo de auto reconhecimento e descobrimento. Agir de modo contrário pode fazer com que nossa capacidade de sentir corretamente diminua. Daí a questão: como reparar faltas se não entendo meus sentimentos? É a interpretação equivocada da vida que levamos afetivamente que nos conduz a buscas irreais. É preciso que aceitemos nossas emoções e saibamos conviver bem com elas.

É preciso que aceitemos nossas emoções e saibamos conviver bem com elas. Uma emoção não é, em si, um ato. Sentir é diferente de agir. Sentir raiva é diferente de ser violento. Sentir afeto é diferente de acariciar. Ou seja, conviver bem com o que sentimos é aprender a discernir qual posição tomaremos diantes das emoções e não censurá-las por sentí-las. Daí a importância de buscar saber conviver com nossas emoções. Nosso comportamento, nossa capacidade de tomar atitudes é que deve controlar nossas emoções, não o contrário- se não me permito sentir, como me manter as emoções sob controle?

Me reprimir não não é o caminho para que eu tenha o real entendimento do que e como estou fazendo as coisas em minha vida. É preciso coragem para a disposão em admitir o que sntimos. Mas é preciso sempre analisar nossos comportamentos, de forma frequente e efetiva. . Assim, podemos, com a calma necessária, identificar os atos incorretos que vivenciamos, associando-os aos sentimentos que os originaram e, a partir daí, equilibrá-los. Como nos dizer de Hammed, reparar nossas faltas com ´nós mesmos e com os outros´é a fórmula feliz para evitar o sofrimento.

Decicr ser quem eu sou, e de como quero viver não significa viver infeliz por ainda eu não conseguir ser quem eu gostaria, mas contente se puder perceber que posso mudar para melhor. De minhas atitudes também depende uma vida autêntica e mais feliz. Posso assumir minha individualidade, ou reprimir minhas fantasias, meus talentos, meu eu, tentando ser o que penso que os outros gostariam que eu fosse.

Passamos, ainda, muito tempo olhando os outros com censura, que poda, que fere, sem qualquer consideração para com os desejos, limites e dificuldades de cada um; e sem perceber que, muitas vezes, sou eu mesmo um detentor de dificuldades. Apontar falahas no outro paredce sempre dar uma sensação falsa de que somos melhores que ele, e o engano é grande.

Também não podemos deixar o medo paralisar os planos de melhoria íntima. Deixar tudo como está para ver como é que fica nos impede de buscar e conseguir as mudanças que necessito, considernado que serão precisos muita paciência e trabalho, num bom combate, como se referia Paulo², já que terei do confrontar muitas de minhas emoções já estabelecidas e, por hora, em situação cômoda por vezes.

O frase da música que destaquei nos convida a refletir que não devemos mais tentar achar desculpas para todas as nossas insatisfações. Há quem amaldiçoa sua sorte, mas o que temos de aprender é enxergar como grandes oportunidades as trubulações que a vida nos oferece- verdadeiros convites ao exercício de nossas potencialidades positivas, encarando a mverdade de que, no fim das contas, será sempre cada um de nós que decidirá o tipo de vida que se quer levar.

É uma abenção sabe que podemos escolher nossos destino, caminhando em direção à ele e, através de ações concretas e pensadas, caminhar em direção a ele. pensar que tudo já está escrito nas estrelas não condiz com a idéia que a doutrina espírita tem sobre a bondade e justiça divina. Por isso, não devemos ficar presos a um passado que já acabou, onde nadfa há mais o que fazer; e sim desfrutar ao máximo do que já possuo, multiplicando o esforço para a obtenção de novas conquistas, e não viver num clima de ansiedade e desgosto por não ser ou possuir tudo o que eu gostaria de ser e ter.

É preciso que tomemos atitudes acreditando em nossas próprias forças, espelhando-se em quem já conquistou para ele o que ainda não tenho em mim. Para tanto, a análise de nossos comportamentos é importante para eu estabelecer se o que me falta é mesmo necessário. E se, apesar de necessário, ainda não exixtir ou eu ainda não possuir, preciso justificar o "ainda não", para que eu não caia o risco de lidar com devaneios, fantasias, idéias efêmeras. A escolha é semkpre minha. Mas mponderação ao decidir é importante, pois somos cada um de nós que vamos carregar, sozinhos, o peso das escolhas que fizermos.³

1- Hammed é um espírito desencarnado, trabalhando, com psicografia, ao lado de Francisco do Espírito Santo Neto, resultando em livros maravilhosos.

2-Paulo é Paulo de Tarso, um dos percussores do movimento cristão e maior pregador do evangelho do Cristo que se tem notícia. No livro Paulo e Estêvão, Emmanuel, através de Chico xavier, nos conta sua belíssima e inspiradora história.

3- A última frase do texto foi trasncrita de um texto que li, mas não sei o autor.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SEXTAS PALAVRAS




Muito do que penso é reflexo de meus estudos na doutrina espírita, que norteia meus raciocínios. Mas nem sempre ajo como penso, já que a distância entre um e outro é determinada pelas minhas limitações enquanto ser humano fálico, principalmente no campo dos sentimentos. No entanto, embora eu tenha já me equivocado muito nestes meus 30 anos de vida, é na paternidade, um dos campos de minha vida, em que procuro o esforço por me equivocar menos! Eu não queria ser pai. E, às vezes ainda penso que seria melhor se não o fosse. Mas tenho aprendido muito com a experiência.

Assumir compromissos paternos é o mesmo que assumir o esforço pelo aperfeiçoamento pessoal, no tocante ao desenvolvimento de nossos mais nobres sentimentos. Paternidade tem mesmo um caráter divino, pouco assumido por muitos. Eu mesmo ainda sou invigilante, embora tenha melhorado se levarmos em conta minha indiferença ao primeiro filho- ele me ensinou tantas coisas que ainda eu poderia até escrever a respeito por aqui. Infelizemente, nossa sociedade parece desavisada sobre a nobreza conceitual e contextual dos valorosos atributos adquiridos quando se esforçam por ser um pai com tal compromentimento. Independe de religião. Independe de classe social. Independe de formação acadêmica. Depende de sentimentos, estes que nos movem sempre, sejam positivos ou não.

Aqueles que se tornam pais, mas não se comprometem com esse caráter divino mantém-se longe das verdadeiras noções de humanidade. Ser pai é também buscar humanidade. Muitos de nós, pais no mundo, precisamos nos esforçar cada vez mais à compreensão da complexidade e grandeza bendita que é a paternidade. É até mesmo natural que nos interessemos pelo mundo, até mesmo por alguns acontecimentos vulgares, mas a paternidade se configura essencial, onde se deve atender aos desígnios desse caráter divino, quando consideradas as responsabilidades mais importantes que nos são conferidas em relação à essa condição.

Filhos são como preciosidades que Deus confia às mãos desses humanos, onde solicita cooperação e afetividade eficiente. Cada dia que passa tento absorver esses conceitos, me percebendo o quanto sou abençoado por ter tal confiança e o quanto é precisos cuidar das primeiras orientações de vida do Pedro Henrique e do Mateus, as criaturinhas que Ele me confiou. Emmanuel escreveu certa vez que receber encargos desse teor é alcançar nobres títulos de confiança. Por isso, criar filhos e aperfeiçõá-los não é tão fácil.

A grande maioria dos pais parecem desavisados quanto a esta contextualização, a meu ver. Seja nos chamados excesso de ternura, ou nos exageros das exigências. Que eu possa, com minha busca, compreender cada vez mais que, para ser pai, são necessários profundos dotes de carinho e afeto, à frente desse compromisso onde deve brilhar o dom do equilíbrio emocional.

Quantas sementes vocês acham que o homem tem o direito de possuir, para desperdiçá-las plantando a esmo? Suponha que seu pai fosse obcecado por ter filhos, não importasse de qual mulher, nem o amor que sentisse por ela. A única coisa que lhe importava era o seu objetivo: ter um filho homem, a quem daria o seu nome. Suponha ainda que seu pai estivesse tão cego para os seus objetivos que nunca traçou um plano ou escolheu onde iria colocar sua semente. Jogava-a na primeira mulher que ele julgava amar. Suponha que todas essas mulhers fossem estéreis. Depois de tantas tentativas frustradas, ele abandonaria todas e perderia o sonho de ter um filho.

Vocês conseguem perceber- se é que minha percepção está certa- a importância da terra? Que Deus me ajude a ganhar cada vez mais serenidade para que eu não desperdice as sementes que me chegam para o plantio no coração de meus filhos e que eu possa me abrir às sementes que, porventura meus filhos carregam para plantar em meu coração!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

QUINTAS PALAVRAS



Certas lembranças apertam o coração. Magoam, como se nunca houvessem magoado, ou eu não tivesse percebido a mágoa que causam. Magoam de novo, as com que eu já tinha sofrido. Onde o rumo? Onde a direção? Onde o afago que preciso por estes dias turbulentos que estagnam o que está no coração, interferindo no que penso?

Não há choro, ainda. Mas saudades das oportunidades que deixei passar. Talvez eu pudesse, hoje, caso viessem lá de trás, mudar tanta coisa... E hoje, busco perdão, mas não encontro a força necessária para tanto, ainda! Não é que esteja perdido, sei que está aqui, sei que vou encontrar. E o perdão,~não busco de alguém, busco de mim, busco em mim.

No fundo quero fugir, esconder, me libertar assim, de maneira mesquinha e covarde. Pura ilusão. Por disso saber, é que sei, não posso fugir, não posso esconder. Nem me esconder! Embora desconfie que, cedo ou tarde o choro virá. E se vir, que venha como purgar essas inquietações. Ou ao menos trazer melhores disposições na mente.

As vezes sinto que as lágrimas serão inevitáveis. Inconsoladas, incontroláveis, com raiva e aflitas. E me digo sempre que não posso ter medo de me encontrar numa esquina qualquer. Sem arrepios, sem pavor, sempre que eu me ver olho no olho.

Sei que preciso querer que as conversas comigo mesmo sejam inadiáveis. Que elas existam nos tempos oportunos. Que elas sirva para resolver essas pendências emocionais de desamor comigo mesmo.

Sei que não me faltará amparo. E que dele, eu possa ser cada vez mais digno, porque precisarei.

Que eu seja digno do amaparo para carregar essas lágrimas aflitivas para longe, tirando de mim o peso da dor.

Que eu seja digno de um melhor jardim, na medida em que eu me resignar no campo de batalha pessoal onde estou sempre a lutar.

Que, seja lá qual for o tamnho da dor, eu seja digno de atravessar meus caminhos, à medida que eu administre meus temores.

Que eu também seja digno de encontrar amigos, pessoas, para me aconchegar e dizer palavras que auxiliem meu equilíbrio- será pedir muito?

Que minha razão ceda um pouco de seu lugar à emoção, e eu seja digno de sentir mais o que sempre senti de menos, ou me impedi de sentir- o que eu não havia percebido, auxiliou na chegada desses tormentos.

Que eu seja digno de seguir em frente, esquecendo o que passou e não serve mais, pisando em terra firme, vivendo melhor o presente, lançando mais meus olhos para o futuro.

Que eu seja digno de fazer brilhar a luz divina que carrego, para irradiá-las cada vez mais, sobretudo àquelas pessoas a quem colaborei para estarem na sombra. Sim, ainda a razão me leva a crer nessa luz. preciso encontrá-la no coração agora!

Enfim, sei que foram muitos os pedidos. Mas, à medida que eu faça minha parte no esforço, eu possa ser digno de ser atendido.

Que assim seja!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

QUARTAS PALAVRAS




Outro dia, eu voltava para casa depois de me despedir da Koly (http://momentosnossos.zip.net) e, ao invés de ler o jornal do dia como sempre faço, refletia sobre minha tão tempestuosa vida. Contudo, em face de alguns acontecimentos ocorridos em minha vida ultimamente, passei a refletir sobre eles. Não é uma forma de me martirizar, como muitos já me disseram após saberem que, a meu ver, tal natureza de análise é importante para o autoconhecimento. Apenas a racionalização que procuro ter para nortear minhas decisões. Registrar o que se pensa de si também é outro passo importante, para a autocobrança e o não esquecimento do que me comprometi comigo mesmo; por isso, escrevo uma síntese do que consegui formular, sem precisar contar detalhes do que estou passando, de modo a deixar, sem pretensão, o texto de utilidade geral- espero!

Na medida em que não estamos satisfeitos conosco, com nosso trabalho, nosssas relações de amor ou de amizade, parece-me que sempre nos apresentamos emocionalmente desajustados, em tensão. Estar ajustado, creio, é como estar adequado a certos padrões de comportamento que nos permitem satisfazer nossas necessidades reais- e nãos as necessidades dos outros ou criadas por nós para satisfazer uma ilusão. Como a todo momento temos múltiplas necessidades (por que se criam, ou porque criamos), continuamente enfrentamos problemas de ajustamento. Portanto, para que um comportamento seja adequado- ou seja, ajustado- é necessário em primeiro lugar, descobrir os meios de satisfazer as próprias necessidades. Mas não é só: esses meios deverão estar de acordo com as regras e necessidades do grupo social em que vivemos também, pois há o espaço e a individualidade do outro a ser respeitada. E daí surgem novos problemas.

Uma frustração contínua, ou situações em que coloquem exigências superiores ao que o somos capazes de dar ou fazer, tendem a nos provocar ansiedades ou tensões- ou, em outra palavra, desajustamentos. Daí, a tendência é apelar para qualquer coisa que reduza essa tensão, mesmo que por pouco tempo- é o caso das drogas, do álcool, das manifestações de agressividade, das obssessões por algo como a procura do corpo perfeito segundo um critério exageradamente falso, etc. É difícil acreditar e/ou compreender, mas esses comportamentos, embora não sejam adequados, podem ser as formas encontradas para a eliminação das tensões e enfrentar determinada situação. A forma como cada um reage está sempre de conformidade com o entendimento que faz da vida. Os motivos desses comportamentos devem ser procurados na interpretação que cada um de nós fazem os da situação- assim abrimos caminho para a (auto)indulgência.

Muitas vezes, a excessiva preocupação com a situação leva a optar por objetivos imediatos que irão contrariar um bem-estar mais duradouro. A criança que, por medo, se recusa a tomar uma vacina, não compreende que essa forma de ajustamento trará um sofrimento ainda maior se ela contrair a doença (meu filho mais novo passou por isso semana passada). Outas vezes, procuramos compensar um fracasso com um objetivo que funciona como substituto. É o caso de alguém que se dedica, por exemplo, ao esporte, não por escolha verdadeira, mas porque sua atuação em outras áreas está longe de ser brilhante. Ou da criança, que se apega a um animal de estimação por falta de contato com companheiros adultos- tenho dois filhos, e preciso pensar muito nisso.

Ainda há o comportamento que permite apenas um pequeno grau de satisfação das necessidades e que, na medida em que traz esse pouco de satisfação, tende a ser mantido. Esse tipo de ajustamento é a repetição, na tentativa desesperada de chamar a atenção. Isso é evidente nas pessoas que se vangloriam ou se exibem porque não se sentem aceitas, nas reclamantes que falam o tempo todo de desgraças e doenças porque não recebem atenção e afeto, nas que agridem ou impedem uma aproximação maior por saber de sua prórpia fragilidade afetiva.

É ainda existem aqueles que atingem os seus objetivos, mas de uma forma que entra em conflito com os valores do grupo social. É o vigarista que não se acha errado porque não acredita nos valores sociais vigentes e até se orgulha de enganar os outros, agindo de acordo com suas prórpias crenças, sem se importar com as dos outros.

É preciso que estejamos atentos às lições que se nos apresentam a vida, esforçanado-nos a tomar consciência do choque entre os nossos valores e os valores do meio; das responsabilidades que nos cabem pelas consequências de nossas ações. Caso contrário, nos sentiremos sempre perseguidos e injustiçados em relação aos outros quando a vida nos "castigar"; quando só servirá para nos levar à revolta e à repetição de nossos atos com intensidade ainda maior.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

TERCEIRAS PALAVRAS




Dois amigos me desafiaram, tempos atrás, a ler com mais carinho e atenção aquele poema da pedra, escrito por Drummond. Embora eu admire muitos dos seus poemas, este, em especial, pouco me dizia. Quando souberam que eu não gostava tanto assim do poema, me pediram que eu refletisse melhor, e, bom... tenho de me curvar aos dois e admitir que até então eu estava cego. O resultado da minha reflexão, publico aqui, sem medo de ser feliz; pois com isso, Márcio e Ana Maria, pretendo me redimir e pagar-lhes o desafio assim, em público.

Na sombra da idade, o homem mais velho recorre à bengala para lhe der apoio. Se tem fome, sabe o que fazer; vai até a padaria e compra um pão, trazendo-o numa mão, a bengala na outra. Se tem sede, busca água, que traz numa mão, e a bengala na outra. Mas, se tem fome e sede, não pode buscar pão e água ao mesmo tempo... A necessidade, para ser sanada, precisa de alguma estratégia...

O obstáculo dói. E surge em nossas vidas quando não há mais segurança, ou seja, quando não conseguimos mais produzir resultados utilizando os recursos de que já dispomos. O tempo da mudança chega. A mudança se faz necessária. E, é atravessando os obstáculos que poderemos realizá-las.

Não utilizar as pedras em nosso próprio proveito, é desprezar o valoroso propósito do obstáculo. Quando tropeçamos na pedra, somos levados à frente, ou seja, se por um lado nenhum obstáculo nos impede de voltar, por outro a mesma pedra nos desafia a seguir. A decisão é pessoal, por isso deve-se ter cuidado, pois ver a pedra no outro é não dar conta de si. As dificuldades que se nos apresentam devem ser encarados como meios para que adotemos outra postura de vida. A crise se mistura com a necessidade de mudança, mas, aceitando o obstáculo e enfrentando-o como condição essencial da existência, forma um novo estado, diferente de tudo o que estávamos acostumados a ver e sentir.

A acomodação provoca falência. A transitoriedade da vida material só compensa quando nos esforçamos pela construção das virtudes. É claro que vez ou outra, fracassaremos, o que não deixa de ter um lado positivo. Afinal, ter uma pedra no sapato incomoda, mas incomodaria muito mais ter um sapato de pedra. O importante é a forma de encarar o problema, a pedra no caminho. Esquecê-la para prosseguir sem traumas; e lembrar-se dela, para não cometer os mesmos erros passados- aí está o ponto positivo do fracasso.

Em outras palavras, é um como um exercício de oscilação entre o esquecimento e a lembrança, para que, cada vez melhor, pensemos e ajamos diante do obstáculo. Muitas vezes, o problema nem é ver a pedra, mas deixar de vê-la, porque a sucessão de pequenas falhas cava uma cova. Por isso, a avaliação constante é fundamental para quem sonha e quer alcançar objetivos.

Avaliações constantes nos ensinam a prever acontecimentos que possam afetar os esforços na busca pelos nossos objetivos. Assim, tomamos decisões antecipadamente, sem improvisos, sem transtornos ou desperdícios, definindo claramente os meios e recursos para atingir os objetivos. A propórito, o homem velho trouxe numa das mãos uma bengala, e, na outra, água e pão dentro de uma cesta.

A necessidade do obstáculo parece ser constante porque sonhamos. Mesmo que perseveremos, as pedras aparecerão no meio do caminho. Não importa qual pedra seja. Colocada no lugar certo, sempre edificará alguma coisa. para o bom combatente, parafraseando Paulo de Tarso, não existe dor.

"Nunca me esquecerei desse acontecimento, na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra. Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

SEGUNDAS PALAVRAS

O Afeto ( continuação do texto anterior inspirado num outro texto de Ermance Dufaux)

O afeto pode ser entendido como uma nutrição espiritual e insubstituível sempre preventivo em todas as fases da vida. Quando chega tarde, pode ser entendido como uma renutrição consoladora. Entretanto, para o amadurecimento pessoal, devemos iniciar uma etapa de vivência em que a vida parecerá nos exigir maior soma de doação emocional às pessoas que esperar delas a mesma atitude.

A vida e o mundo nos oferecem valorosas oportunidades que nos auxiliam a reeducação de nossas tendências viciosas, no conhecimento de nós mesmos. Essas oportunidades nos auxiliam a minar o personalismo, que permitirá o potencial afetivo dirigido a realizações nobres de nossas relações. Essas oportunidades se encontram em diversos lugares, nos mais diversos graus, com as mais diversas eficácias. São as igrejas, os templos, os centros espíritas, os núcleos de estudos exotéricos, os grupos de ajuda, a terapia, as atividades introspectivas, o trabalhoa em grupo, e, atividades coletivas em favor do próximo principalmente.

Atividades cooperativas e solidparias realizadas em ambiente de bem-etar serão fortes estímulos à força do pulsional do coração, muitas vezes aprisionada pelas traumáticas lições sócio-afetivas que amontoamos dentro de nós, frutos de uma educação emocional mal direcionada. A proposta da pedagogia do afeto é a abertura para a riqueza dos sentidos individuais sem o personalismo dos baixos e limitantes desejos, dos sonhos de crescimento moral, através dos quais o processo educativo será sempre mais efetivo.

Melhor será sempre aquele que buscar um local que facilite a nossa reflexão, melhores instruções, aos relacionamentos responsáveis, axiliando os homens atordoados e infelizes da atualidade a ssumirem um compromisso consciente com a melhora de si memos, através da reeducação dos sentimentos.

A proposta de tranformação íntima encontra nesse quesito do coração o seu ponto essencial para as mudanças de profundidade, já que o motivo causador da atual condição dos homens atordoados de hoje deve-se, acima de tudo, aos desvios afetivos de antes, que sedimentaram reações emocionais destoantes com o sentimento de amor autêntico, fonte de saúde e vitalidade para "ser".

segunda-feira, 7 de abril de 2008

PRIMEIRAS PALAVRAS

A AFEIÇÃO POR MIM MESMO




Parece que o exercício de amar a si, para depois amar ao próximo é uma tarefa que exige- para aqueles que se interessam na disposição de amar-, dedicação quase que sobre humana. É que aqui, estamos penetrando no terreno das emoções, terreno impenetrável quando o outro não se abre uma brecha sequer de seu coração.

Desde pequenos somos desvalorizados em nossas emoções, de forma até mesmo inconsciente por aqueles que deveríamos esperar posturas diferentes. Nas famílias, enquanto crianças, ouvíamos muitas coisas que nos desabonavam. "Não faça bagunça, porque você nunca guarda", ou "você só sabe quebrar as coisas, é mesmo um desastrado", ou "você está me deixando maluca, qualquer dia desses ainda quebro seus dentes", "não tirou nota boa? é mesmo um burro..."

Um grande desafio para o mundo atual, percebo, é o de os pais precisarem se munir de recursos afetivos-pedagógicos no intuito de dar melhores direcionamentos emocionais aos seu filhos. Fazer uma pequena criança (de 3 anos por exemplo) se sentir amada depois de ela ter riscado toda a parede de seu quarto é exercitar o exemplo de dignidade pela qual somos todos merecedores, se for nosso real desejo.

A criança tem sempre a sensação de que todos sabem o que ela não sabe. Amarrar o cadarço, por exemplo. Todos tem que lhe explicar tudo. Na escola, os professores chegam a se irritar com a nota baixa de um aluno. Quando a nota é boa, ouve-se, no máximo um "não fez mais que sua obrigação". Na puberdade, nós assistimos a telçevisão e vemos pessoas fazendo coisas heróicas(claro que falo de nós, pois já fomos crianças desvalorizadas, não fomos?), onde as mulheres têm a pele maravilhosa, olhos brilhantes e expressivos, os dentes lidérrimos. Os homens têm 1,80m de altura (ainda bem que tenho 1,82, he he), rostos másculos (eu, eu, eu), etc. A auto estima do jovem sofre abalos com as comparações.

As propagandas dizem para termos o que não podemos pagar. A todo momento a mídia comercial nos diz: "se você não tem isso, então é um fracassado". Você consegue ser inteiro, autêntico? Já pensou que as outras pessoas querem ter a falsa sensação de que são melhores que você? Aliás, é tão fácil apontar no outro os defeitos, porque isso nos dá essa sensação falsa também. Cobramos pouco de nós mesmos, mas dos outros... esperamos que alguém nos ligue, que alguém nos convide a sair para um lugar bacana, e esquecemos de participar da vida. Desde que nascemos, parece que somos estimulados a isso.

Mas essa situação nos dispõem menos à aquisição de novos relacionamentos. Ou, se os adquirimos, tendem a ser efêmeros, superficiais, pouco contribuem para nosso crescimento. Daí, para sentir solitário (mesmo no meio da multidão), é um passo, depois que cai a ficha. Se chegamos ao estado crônico da solidão, colocamos a culpa nos outros. Seria possível alguém não se interessar pelo que sou, pelo que tenho enquanto pessoa? Se a resposta for positiva, então, sabemos de novo com quem está o problema e quem deve mudar as ações... Muitas vezes, esse processo se sucede de forma insconsciente. Sentimos a ngústia e nem sabemos como nomeá-la.

Creio que amar a si é reconhecer que tem conflitos que diminuem as alternativas de felicidade pessoal. Gostar de si com os defeitos, as indisposições, as paixões, etc., mas também com as conquistas, com os sonhos, porque cada um de nós é único. Aliás, os sonhos não concretizados são mesmo um convite para a renovação, independente dos outros. Por isso, aqui não cabe queixa ou revolta, a não ser consigo mesmo.

Se feri alguém, o que faço? Pedir o perdão e assumir o compromisso de melhor comportamento já é grande passo. Se não puder pedir perdão, sigo com o compromisso do recomeço feliz. Se eu fui ferido, devo prosseguir sem cobranças, já que estou livre agora. Pois esperar que o outro nos ame, embora seja justo, quase sempre termina em desajustes, tédio, decepção ou cobrança. Se só tenho o afeto que dou, então, eu estou em minhas mãos.



NO PRÓXIMO POST, ALGUMAS DISSERTAÇÕES SOBRE O AFETO!